Primeira Rodada: Construindo a Base
Das três rodadas, a primeira é a que coleta mais indicações.
Isso não acontece porque a qualidade do que foi produzido na primeira rodada seja baixa. É porque, numa fase ainda bruta, a perspectiva da auditoria externa e os pontos de vista dos sete subagents internos se voltam ao mesmo tempo para o material — e assim os pontos cegos ficam mais fáceis de enxergar.
O papel da primeira rodada
A primeira rodada tem um papel definido: é a rodada para tirar tudo o que está bruto para fora.
Quando um novo design, um novo capítulo ou uma nova diretriz passa pela primeira consulta (ou seja, o processo de coletar confirmações de múltiplos pontos de vista), quem criou o material sempre carrega premissas das quais não está ciente. Algo escrito com a sensação de "é claro que vai ser assim" pode parecer mal explicado quando visto por um olhar especializado externo. Há sempre uma diferença entre o que está na cabeça de quem desenhou e o que está de fato escrito no material produzido — mas quem criou raramente consegue enxergar essa diferença por conta própria.
É justamente essa diferença que a consulta da primeira rodada traz à superfície. Por mais que o autor releia seu próprio material, o conhecimento que trouxe como premissa é lido como "óbvio" e passa despercebido. Sem um primeiro olhar externo, essa diferença não vem à tona.
A auditoria externa define primeiro onde concentrar as verificações, e então os sete subagents internos confirmam cada um em paralelo a partir de sua área de especialização. Quando esse fluxo passa pela primeira rodada, os pontos que o autor não havia percebido começam a aparecer um após o outro.
Por que a primeira rodada gera mais indicações
Vamos detalhar um pouco mais as razões pelas quais surgem tantas indicações na primeira rodada.
Na primeira rodada, todos veem o rascunho ou o design pela primeira vez. Só na primeira rodada é que se olha para o material original, não para uma versão já corrigida. Nesse primeiro olhar, a verificação ocorre sem que as premissas que o autor considerava óbvias tenham sido compartilhadas. Por isso surgem com mais facilidade indicações básicas como: "a definição deste termo está imprecisa", "a conexão com o capítulo anterior é difícil de seguir", "este ponto não tem embasamento suficiente".
Em termos concretos: mesmo que esteja escrito em uma linha "o Kill Switch (dispositivo de parada de emergência) está configurado", para quem não é o autor as premissas de "em que estado ele é ativado" e "quem o opera" não ficam claras. Na cabeça de quem desenhou tudo está conectado, então as explicações que ficaram de fora não são percebidas. A primeira rodada é a rodada para tornar visíveis essas omissões.
Isso é um bom sinal. Em vez de ler "muitas indicações = muitos problemas", é mais preciso ler como "muitas indicações = os pontos cegos ficaram visíveis".
Construindo como "base"
Somente após incorporar as indicações que surgiram na primeira rodada é que se forma o que pode ser chamado de "base capaz de sustentar uma consulta".
Tentar avançar sem essa base leva a necessidade de correções fundamentais mais tarde. Em vez de ajustar os detalhes do design, acaba sendo necessário refazer a raiz. Conduzir a primeira rodada com cuidado reduz o custo das correções nas rodadas seguintes.
Há ainda outro significado importante na primeira rodada. Fica registrado como os sete subagents internos reagiram às perspectivas levantadas pela auditoria externa na primeira passagem. Acumulam-se informações como: "esta perspectiva foi bem captada", "esta indicação já estava compartilhada internamente", "este ponto não havia sido percebido".
Esse registro se torna o ponto de partida para as verificações da segunda e da terceira rodada.
Depois que a primeira rodada termina
Quando a auditoria externa conclui a segunda verificação da primeira rodada, o retorno vem em uma de três formas: "devolução para correção" (instrução para corrigir e reapresentar), "GO com condição" (OK se corrigir) ou "necessidade de reorganização geral".
Raramente tudo termina com GO. Na verdade, quando há poucos GOs na primeira rodada, é evidência de que o mecanismo de consulta está funcionando normalmente.
Os materiais devolvidos para correção são ajustados e preparam o terreno para a próxima rodada. O que foi corrigido precisa ficar registrado, pois isso afeta diretamente a eficiência da segunda rodada. Se estiver claro "o que foi indicado na rodada anterior", os sete subagents internos da segunda rodada conseguem verificar comparando com a versão anterior. Sem isso, acaba sendo necessário rever o mesmo intervalo desde o início. Sem registro, a segunda rodada repete na prática as mesmas verificações da primeira.
Ao definir a primeira rodada como "a rodada para tirar tudo o que está bruto para fora", é possível receber muitas indicações sem pressa. A postura é: quanto mais indicações surgirem, melhor.