Segunda e terceira rodadas: blindagem
Na primeira rodada, os problemas brutos são identificados e corrigidos. Em seguida, começa a segunda rodada.
A diferença em relação à primeira está na mudança do eixo principal de verificação: de "encontrar problemas à primeira vista" para "confirmar se as correções não geraram novos problemas".
O que fazer na segunda rodada
Na consulta da segunda rodada, os sete subagents internos analisam o resultado após as correções.
Verificam se os pontos corrigidos foram ajustados de forma adequada. Ao mesmo tempo, verificam se as correções não quebraram a coerência com outras partes do material. Uma correção em um parágrafo pode ter prejudicado a conexão com o capítulo anterior. Uma mudança de expressão pode ter causado inconsistência no uso dos termos. Esse tipo de "efeito colateral das correções" (novos problemas gerados pela própria correção) dificilmente é percebido sem olhar o material após as modificações.
Na segunda verificação da auditoria externa, também se acompanha se os pontos levantados na primeira rodada foram devidamente incorporados. O fato de o levantamento de perspectivas da primeira rodada e a confirmação da segunda estarem conectados permite que a verificação das correções seja feita sem lacunas.
Os apontamentos da segunda rodada tendem a ser menos numerosos do que os da primeira. Isso porque os problemas estruturais mais relevantes já foram identificados na primeira. O que surge na segunda são pequenos desalinhamentos gerados pelas correções e verificações detalhadas que foram deixadas para depois na primeira rodada.
O que fazer na terceira rodada
A terceira rodada é a confirmação final após as correções da segunda.
Nessa etapa, o número de apontamentos diminui ainda mais. Com duas rodadas concluídas, as brechas maiores já foram fechadas. Os apontamentos restantes dizem respeito a variações de expressão em detalhes, pequenos desalinhamentos que o leitor perceberia, ou a verificação da coerência geral ao analisar vários capítulos em conjunto.
A perspectiva da auditoria externa também muda: de "confirmar a direção geral", como na primeira rodada, para "verificar a coerência nos detalhes e emitir o aval final". O momento em que a auditoria externa dá o sinal verde na terceira rodada é o critério adotado nesta série para considerar que "a decisão foi consolidada".
A sensação de "blindagem"
Ao acumular a segunda e a terceira rodadas, há uma sensação de que os julgamentos e o design vão sendo blindados (aqui: tornam-se resistentes a revisões — como algo que não cede mesmo sob pressão).
Um julgamento feito em uma única rodada é mais suscetível a ser questionado quando uma perspectiva diferente é aplicada depois. Ficam lacunas do tipo "aquela perspectiva não foi considerada" ou "aquela premissa não foi verificada".
Um julgamento que passou pela segunda e terceira rodadas foi verificado sob ângulos diferentes em múltiplas passagens. Os pontos levantados na segunda rodada — que passaram pela primeira — foram corrigidos, e os efeitos colaterais das correções também foram confirmados. As brechas para revisões posteriores diminuem.
A blindagem não é resultado de um julgamento mais apurado do designer. É um processo estrutural em que o espaço para omissões vai sendo reduzido ao verificar o mesmo julgamento repetidamente, com olhares independentes.
Por que três rodadas são "suficientes"
Para a pergunta "três rodadas no máximo são suficientes?", o que se pode dizer com base na operação real desta série é o seguinte.
Ao final da terceira rodada, são raros os casos em que brechas relevantes ainda permanecem. Identificar os problemas brutos na primeira, verificar a coerência após as correções na segunda e consolidar os detalhes na terceira: seguindo esse fluxo, a situação de "corrigir tudo de novo a partir do zero depois" dificilmente ocorre.
No entanto, se na primeira rodada houver uma revisão fundamental do design, o caso é diferente. Quando as premissas do design mudam, reinicia-se a primeira rodada com o design revisado. Não se trata de "recontagem dentro das três rodadas", mas de "rodar novas três rodadas com o design que mudou".
O que resta após as três rodadas
Ao final das três rodadas de consulta, fica um registro.
O que foi apontado na primeira rodada. Que tipos de problemas surgiram como efeito colateral das correções na segunda. Que apontamentos de detalhe houve na terceira. Que perspectivas a auditoria externa apresentou e como os sete subagents internos reagiram.
Esse registro serve de referência para o próximo design ou capítulo. Porque se acumulam dados reais do tipo "na vez anterior, tais perspectivas surgiram na primeira rodada" e "conteúdos desta categoria tendem a apresentar variações de expressão".
Conduzir as três rodadas de consulta não serve apenas para consolidar a decisão do momento — é também uma forma de gerar dados que reduzem os pontos cegos nas próximas ocasiões.
A blindagem não se completa em uma única rodada de consulta. Ela vai se fortalecendo aos poucos, por meio da repetição.