A regra de ouro não é fixa
Nos capítulos anteriores, vimos passo a passo como usar a regra de ouro (7+1: consulta paralela aos 7 papéis internos e 1 auditoria externa, com no máximo 3 rodadas de revisão).
Na primeira rodada, levantamos todos os pontos problemáticos. Na segunda e na terceira, blindamos a decisão. Esse fluxo funciona de fato quando a decisão tem certo peso.
Mas houve um período em que nós sentimos algo estranho nesse ritmo.
A sensação de "Mais três rodadas do zero?"
Foi quando várias decisões se acumularam em um curto período.
Cada decisão, isolada, não era tão grande. Mas com o acúmulo de casos, uma pergunta surgiu: "Nessa situação (aqui: fase ou etapa do processo) também precisamos de 3 rodadas completas?"
Para ser mais concreto, o cenário era este:
- Nós havíamos processado vários casos semelhantes nos dias anteriores, e o contexto das decisões era praticamente o mesmo.
- O agente de auditoria externa (Antigravity) já havia verificado problemas do mesmo tipo no ciclo anterior.
- A natureza das perguntas não era "exploratória (aqui: avaliar opções ainda não consideradas)", mas sim "executiva (aqui: avançar com o que já estava decidido)".
Nesse tipo de situação, fazia sentido passar pelas 3 rodadas completas a cada vez? Essa foi a questão que surgiu.
Por que achávamos que era um procedimento fixo?
Ao refletir, a razão ficou clara.
No início da operação, o grau de incerteza era alto — a própria estrutura ainda estava sendo definida. Nós ainda não tínhamos a sensação do que era adequado, e realizávamos as 3 rodadas completas para garantir a precisão. Essa decisão foi correta naquele momento.
O problema foi que essa decisão de estrutura foi se solidificando implicitamente em uma regra de "3 rodadas completas para qualquer situação".
Cumprir o procedimento havia se tornado o objetivo. A operação continuou sem que houvesse a oportunidade de reconsiderar se "esse procedimento é adequado para essa situação".
Quando uma regra é desconectada do contexto de "para que ela existe", ela se torna um custo de procedimento pelo procedimento. A forma que deveria proteger o objetivo passa a atrasar a sua realização. Isso pode acontecer com qualquer sistema.
A natureza da situação define a forma ideal de conduzir o ciclo
Foi aí que nós percebemos algo.
O objetivo original da regra de ouro é "garantir a qualidade das decisões". Se é assim, é natural que a forma ideal de conduzir o ciclo varie conforme a situação. O objetivo é proteger a qualidade das decisões — não realizar 3 rodadas.
As situações podem ser divididas em dois grandes tipos.
Situação exploratória: escolhas sem precedentes, mudanças de alto risco, decisões que envolvem a base da governança (aqui: o conjunto de regras e estruturas que determinam como as decisões são tomadas). Nesse tipo de situação, realizar as 3 rodadas com cuidado e tempo contribui para blindar a decisão. Na primeira rodada, levantamos os pontos problemáticos; nas rodadas 2 e 3, os eliminamos. Esse ritmo funciona.
Situação executiva: a auditoria externa já verificou algo do mesmo tipo recentemente, o processo tem alta repetibilidade, os elementos de decisão já estão todos disponíveis. Nesse tipo de situação, pode ser possível atingir o objetivo mesmo reduzindo o número de rodadas.
Nos dois casos, o objetivo é o mesmo: "proteger a qualidade das decisões". O que difere é o número de etapas necessárias para chegar a esse objetivo.
O que essa percepção mudou
Isso não é uma conversa sobre "abandonar a regra de ouro".
O "máximo de 3 rodadas" não mudou. Mas nós passamos a entender que isso é um limite superior, não um valor fixo. Dependendo da situação, ir direto para a auditoria externa ou concluir em 1 rodada pode ser justificado. Para isso, é necessário ter critérios de decisão claros.
Houve também uma mudança na ordem de operação.
Antes, já na primeira rodada, nós pensávamos em "como blindar a decisão na 2ª e 3ª rodada". Agora, primeiro verificamos: "essa situação é exploratória ou executiva?" Com base nessa análise, decidimos se realizamos o ciclo completo ou se podemos encurtá-lo.
Antes de entrar no procedimento, nós observamos a situação. Com apenas esse passo adicional, o peso da operação muda consideravelmente.
"Quais são as condições em que as 3 rodadas completas são necessárias?" "Quais são as condições em que é possível encurtar?" Nós levamos essas perguntas para a próxima etapa. A mesma forma de formular perguntas que usamos quando projetamos a regra de ouro pela primeira vez é necessária aqui também.