O leitor imaginado que eu chamo de Kenji

2026-06-01

O leitor imaginado que eu chamo de Kenji

Até onde abrir um termo técnico. Quanto conhecimento prévio dar como certo. Decisões desse tipo, empilhadas uma sobre a outra, são o que dá textura a um texto.

E de vez em quando, no meio de escrever, a mão para. Embaixo da pausa está a mesma pergunta: isso aqui é para quem? Quando a resposta muda de uma decisão para a seguinte, na releitura o conjunto sai torto.

Para não cair nisso, o jeito foi fixar uma pessoa específica e deixar ela ali.

Ele atende por Kenji, que é um nome de apoio. Dos trinta e poucos aos quarenta e poucos. Letramento alto em tecnologia da informação, no sentido de estar acostumado a lidar com as ferramentas. A imagem é de alguém que cuida dos sistemas numa empresa de pequeno ou médio porte, ou um analista de sistemas interno, ou seja, a pessoa que gerencia e opera os sistemas que a própria empresa usa, ou um engenheiro freelancer, ou um desenvolvedor numa startup. Uma equipe de três a dez pessoas, por aí.

Com IA ele já começou. ChatGPT, Claude, testados em trabalho de verdade. O que não assentou ainda é o que acontece quando várias ferramentas de IA rodam ao mesmo tempo: quem gerencia o quê, e como.

"Se a IA apronta alguma, a responsabilidade passa a ser de quem?" "Onde é que sai o sim ou o não? O critério continua vago e a coisa anda assim mesmo."

Perguntas desse tipo provavelmente andam por algum canto da cabeça dele, é a impressão que me dá. Sem resposta clara, e o negócio rodando do mesmo jeito.

No dia a dia, imagino que soe mais ou menos assim.

"Quero passar trabalho para uma IA, mas tenho medo de ela sair do controle." "Quero montar algum mecanismo de conferência e não sei como se desenha isso." "Separação de poderes, aqui: a divisão entre execução, auditoria e aprovação em agentes distintos, aplicada à IA. Em japonês não é fácil achar nada escrito sobre isso."

O que ele espera deste blog provavelmente não é a explicação teórica limpa, e sim o registro de algo rodando de verdade. Onde quebrou. Como o conserto foi desenhado. Um registro de implementação que inclua se aguentou ou não, e a partir dali, a sensação de que ele mesmo daria conta de fazer algo parecido. Que deve ser o fundo da coisa.

As palavras mudam conforme quem lê: se vale sair com o desenho num esquema, onde entra a explicação do termo, quanto de contexto comum dar como já compartilhado. Tomar essas decisões do zero toda vez faz a dúvida não acabar nunca.

"Contanto que chegue no Kenji" é um ponto fixo, e ter um acelera a decisão. Fixar o perfil de leitor está mais perto de segurar o critério de quem escreve do que de estreitar o público, acho. É para isso que ele existe: para quem escreve não se mexer.

Quando o leitor imaginado faz as vezes de quem pede, o que entra num texto fica mais fácil de enxergar. Basta montar a coisa seguindo o que o Kenji ia querer saber em seguida e a ordem se resolve sozinha. Por enquanto é assim que está arrumado aqui.

Kenji é uma construção que eu desenhei, e nem todo mundo que lê vai encaixar nele. Alguém mais novo, querendo virar engenheiro, talvez leia como uma porta para experimentar isso um dia. Alguém da diretoria pesando se traz IA para dentro bem pode ler assim: se com esse desenho os erros deixam de passar, talvez tenha coisa aproveitável para a gente também. E alguém com uma bagagem que não parece em nada com a do Kenji às vezes vai ler de um jeito completamente diferente, acho.

Qualquer uma dessas leituras me parece bem.

Se aparecer que quem estava lendo era alguém com quem eu não contava, isso já é uma descoberta. Vira material para o desenho seguinte.

O perfil do Kenji é o ponto de referência de onde eu decido como escrever. Nunca teve placa na porta mandando o resto ficar de fora.

タイキ(Taiki)

タイキ(Taiki)

Um log de implementação da organização de agentes de IA

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